Por mais novidades que esta semana de feriadão em terras brasileiras pudesse ter, todas seriam ofuscadas pelo maior evento de música (ainda) alternativa do Brasil. Sim, no final desta semana acontece em São Paulo a edição 2007 do festival Skol Beats, que este ano traz um dos maiores DJs do planeta: o francês Laurent Garnier (foto). Em sua oitava edição, o Skol Beats passa por uma mudança completa em relação às edições anteriores: além de mudar de local, mudança também no formato do evento, que agora passa a se dividir em dois dias (sexta e sábado). Tudo isto para evitar o grande problema que assombrou a maior parte do público na edição do ano passado: a super lotação e o gigantesco empurra-empurra que tomou conta do evento durante o horário da apresentação do Prodigy. A polêmica foi forte e não sobraram muitas opções para a organização do festival. Além da singela mudança de local – saindo do Anhembi para o terreno vizinho, agora batizado de “Espaço Skol Beats” – houve também a radical mudança no formato do evento: ao invés de termos a tradicional estrutura de 4 tendas e um palco, tudo rolando em apenas um dia, o Skol Beats 2007 terá apenas 2 tendas e um palco, e se dividirá entre dois dias. Tudo para evitar que o empurra-empurra estrague a festa de quem saiu de casa para se divertir como gente civilizada. O mesmo número de atrações, mas confortavelmente dividido em dois eventos. Boas idéias? À primeira vista, sim, mas não é isto que mostram as discussões pelos fóruns, blogs e demais cantos da Internet. Como se já não bastasse o festival acontecer este ano àsombra de uma forte má experiência que muitas pessoas tiveram ano passado, várias coisas estão deixando frequentadores assíduos longe do evento.
2007: o ano da polêmica
O Skol Beats deste ano começou com o pé esquerdo ao anunciar a venda antecipada de ingressos sem ter os line-ups fechados. Sim: muitas pessoas só souberam o que iriam assistir se fossem comprar o ingresso – este já com preço definidíssimo e arrancando reclamações por todas as partes. Afinal, se no ano passado o ticket para o evento custava 90 reais e dava direito a 5 line ups acontecendo simultaneamente, neste ano, em que o dólar está mais baixo que há exatos um ano atrás, o ingresso quase dobrou de preço (140 reais) para cada um dos dias do evento. Se você comprar antecipado, rola um descontinho, mas se decidir ir em cima da hora, você terá que desenbolsar módicos 280 reais (!!!) para ter acesso à mesma quantidade de atrações do ano passado. Seria óbvio comentar que isto jogou um balde de água fria em grande parte da garotada que ainda está longe de poder torrar um salário mínimo para poder apenas entrar no evento – sem contar os velhos custos como o transporte e comida e bebida – afinal, para passar mais de 10 horas em um evento, é preciso se hidratar bastante. E agora, com dois dias, estes custos são dobrados. Tudo bem, há a justificativa que antes ninguém conseguia dar conta de ver todos as atrações simultâneas, mas convenhamos: em um festival desse porte, muitos poucos curtem ficar mais de uma hora vendo a mesma coisa, com tantas atrações pra conferir. E sabemos que por melhores que sejam as escalações das diversas tendas, ninguém vai ter paciência pra ver tudo. Então, a moral da história é: pague mais caro e veja menos coisas.
Sai o trance, chegam os breaks
Afrika Bambaataa mostra como realmente se procura por uma batida perfeita As atrações deste ano estão muito bem selecionadas, ultrapassando algumas edições anteriores, mas ainda deixa a desejar se comparado à edições memoráveis como a de 2003. Em comparação ao ano passado, duas fortes mudanças: o palco deixa de pagar papel de palco de rock (como a infeliz escalação do excelente LCD Soundsystem e até mesmo do próprio Prodigy), e sai a tenda de trance e entra a de breaks. Sim, este ano abandonaram a idéia de colocar trance, idéia que veio super atrasada, e agora finalmente fazem justiça ao ritmo pai da música eletrônica. Lendas da cultura de turntablism e da selva de concreto como Afrika Bambaataa, Q-Bert e Tony Touch, ao lado do brazucas Zé Gonzales (ex Planet Hemp) e o brasiliense Lui J vêm, ao lado de outros nomes, mostrar que as batidas quebradas não giram apenas nos acelerados compassos do drum n’bass do DJ Marky e seus amigos. Parece que finalmente a organização se tocou que os breaks não se resumem apenas ao Nu Skool, e que existe muita história por trás das verdadeiras (e universais) batidas quebradas.
O duo 2FunkyZ, de Cezar Peralta e Beto Dog Face, inexplicavelmente fica de fora este ano E já que falamos de drum n’bass, vale a nota: apesar dos repetecos, a tenda do DJ Marky traz uma escalação bem interessante. Além de D. Bridge, peça-chave do lendário Bad Company, Friction volta com uma técnica ainda superior, tocando com 3 decks a maior parte do tempo, e o retorno de Fabio e Grooverider, que não se apresentam juntos há muitos anos. Dos brazucas, Marquinhos Espinosa e Bungle são os destaques. Infelizmente, ficou de fora a dupla que ganhou os holofotes e apresentou um trabalho realmente diferenciado, Cezar Peralta e Beto Dog Face (também conhecidos como 2Funkyz). Vai entender… Já no techno, Laurent Garnier em um set de 3 horas já faz valer o ingresso de muitos. O francês dispensa apresentações: se existe um Pelé dos DJs, ele é o cara. Além dele, Miss Kittin’ é outra atração que vai levar muitos à tenda The End. Ao lado deles, os competentes Renato Cohen e Anderson Noise, representando os brasileiros.
Miss Kittin é uma das atrações que vai levar muita gente ao Skol Beats O palco reserva surpresas, com nomes até um tanto estranhos como The Crystal Method (ainda existem?), Bonde do Rolê (?!) e o MixHell, com Iggor Cavalera (é, aquele mesmo) e Laima Leyton, todos no sábado. Esquisito. Mas tudo bem, tem Mstrkrft e o monstro Murphy encerrando a programação do palco nos dois dias, respectivamente. Prometem. Porém, é isso. Tem mais atrações? Tem. Mas pelo que foi apurado Internet afora, estes são os nomes mais falados do momento, bem ou mal.
E os problemas? Vão continuar?
Esta é uma grande dúvida. A superlotação, a grande novidade do ano passado, provavelmente não vai acontecer – a não ser que o Espaço Skol Beats não seja tão espaçoso assim. Mas mesmo assim, é pouco provável que haja um empurra-empurra. A divisão ficou até interessante, com o house e electro predominando a noite de sexta juntamente com os breaks, deixando a galerinha mais cool curtir o evento numa boa. Porém o sábado, este sim, com seu drum n’bass e o techno, é uma incógnita. Dois dos ritmos mais populares da música eletronica que ultimamente não predominam mais os clubs de São Paulo como antigamente sempre se revelam em festivais, fazendo de suas tendas as mais lotadas sempre. Será que a galera toda que vai ao Skol Beats 2007 vai ser 50-50%? Duvidamos. Se tem um dia que vai bombar, este será o sábado, onde ficaram as atrações da galera que vai pra dançar até morrer – ou quase. E aí vem de cara a lembrança da mais tradicional das reclamações que esta mesma galera faz em todas as edições do Skol Beats: o som. Será que ele aguenta? Como será que fica a tenda de drum n’bass, onde tradicionalmente o som fraqueja no meio da noite, depois de aturar uma longa noite de quebradeira, scratches e todo o tipo de barulho inusitado que os metres do turntablism farão na tenda Urban Beats na noite anterior? Será que o mesmo som, que mal aguenta uma noite, terá pique de se recuperar menos de 10 horas depois da noite anterior? Mistério. Tem gente fazendo suas apostas… Outro problema se diz à infra-estrutura em geral. Das tendas que chovem suor até banheiros e bares e lanchonetes, tudo costuma ficar bem trash ao final do evento. Será que vai estar tudo direitinho pro começo da noite de sábado? Outro mistério.
Será que o sound system vai aguentar a pressão de um dos melhores do mundo, nosso DJ Murphy?
Festeje sem moderação. Realize com responsabilidade
Enfim, eis o cenário para o Skol Beats. O Submusica vai estar lá tentando conferir tudo e torcendo pra que tudo dê certo. Porque a verdade é que, mesmo com algumas condições inexplicáveis que, em nossa opinião, estão tirando um bocado o brilho do evento (até mesmo a identidade visual deste ano, dos dragões, que ficou bem fraquinha se comparada às anteriores), o melhor é que o evento aconteça bem e seja um sucesso. Afinal, um fracasso tiraria do mapa mais um dos muitos eventos que estamos perdendo ao longo dos anos. E dado o atual cenário da produção de eventos de música eletrônica em todo o país, seja de grande ou pequeno porte, precisamos de muito mais iniciativas, e não de menos. Que a organização do Skol Beats 2007 faça que o festival seja um sucesso. Acima de tudo, esta é uma grande responsabilidade!
Serviço: Skol Beats 2007 Dias 4 e 5 de maio de 2007 Onde? Espaço Skol Beats, São Paulo, SP. Atrações, preços e mais informações, acesse: www.skolbeats.com.br