Primeira impressão: a construção já convence
O DDJ-FLX10 chega numa caixa que pesa. Isso é a primeira coisa que você nota. O controlador em si tem 5,8kg — mais que muitos CDJs individuais. A carcaça de plástico com reforço metálico nos jog wheels e no painel de faders cria uma sensação de solidez que não é comum na faixa de preço. O acabamento fosco escuro absorve impressões digitais bem, o que é inesperadamente prático em sets ao vivo.
Os jog wheels de 7 polegadas são imediatamente o ponto alto. A resistência e a resposta são notavelmente próximas das CDJ-2000NXS2 — não idênticas, mas próximas o suficiente para que um DJ acostumado com o setup de clube não precise de dias de adaptação.
“Em três semanas de testes, o FLX10 foi o único controlador que não me fez sentir que estava ‘praticando’ — parecia um set de verdade.”
Desempenho sonoro: conversor D/A que respeita
A saída master passa por um conversor de 32-bit/96kHz que entrega um headroom generoso e uma representação do low-end que costuma desaparecer em controladores mais baratos. Testamos em três sistemas de PA diferentes — de um Funktion-One F101 até um sistema JBL de médio porte — e o sinal chegou limpo nas três situações.
O filtro analógico dedicado por canal (hi-pass/low-pass com knob de sweep) é o detalhe que separa o FLX10 dos concorrentes diretos. Não é emulação via DSP — é circuito analógico real, e isso se ouve. O roll-off é mais musical, menos artificial.
Software: o calcanhar de Aquiles
A compatibilidade dupla com rekordbox e Serato é o argumento de venda principal do FLX10. Na prática, funciona — mas com asteriscos. No macOS 14, a troca entre os softwares exigiu reinicialização do driver em dois dos nossos testes. No Windows 11, o driver ASIO apresentou dropout de áudio uma vez em seis horas de uso contínuo. Não é um problema que vai comprometer um set, mas é um lembrete de que a dupla compatibilidade ainda não é completamente sem fricção.
