Serato parte para os controladores com o Serato ITCH, mas sem midi

Mais um fabricante se aventura no mundo dos controladores, e dessa vez é a Serato, co-responsável pelo “unânime” Serato Scratch Live (a outra ponta é a Rane, tradicional fabricante de equipamentos de áudio que faz o hardware do SSL). Depois de 3 anos fazendo constantes mas pequenas atualizações no Serato, mas sem atualizar o danado (que ainda é uma caríssima caixa preta USB 1.1), o Serato ITCH é uma plataforma de software feita para ser integrada a controladores com comunicação direta no hardware, sem usar o protocolo midi. Isso mesmo. Diz o press release que a idéia é ter um protocolo de comunicação eficiente, já todo mapeado de fábrica, em que você tira da caixa, espeta numa porta USB e sai usando, e com performance superior aos controladores midi. Diz ainda que quando os fabricantes de hardware (Vestax e Numark) perguntaram “quanto espaço de dados na conexão USB vocês precisam?”, a resposta foi “o máximo que vocês puderem deixar pra gente”, algo que os surpreendeu pois os outros fabricantes de software (leia-se Native Instruments) solicitaram muito pouco. Vamos ver o que vai acontecer. De cara, eu fico cético pois: - Não usar o padrão MIDI? Isso é loucura. Mais uma vez eles pensam em hardware proprietário. Você gasta sua grana com um controlador que só vai rodar no programa deles, como era o Serato SSL no começo (até que, sob pressão, eles finalmente liberaram o mesmo pra funcionar como placa de som). - Vestax e Numark como parceiros iniciais. Estranho, deveria ser a Rane, que é um dos grandes pontos fortes do SSL, pelo excelente fabricante de hardware que é. Vestax está se mostrando uma empresa muito incompetente pra lidar com hardware digital, e a Numark tem feito tantos produtos novos que dá até vontade de rir, pela falta de foco. - Mais uma vez, a Serato parte pra fazer uma solução estanque, que não anda com as próprias pernas. Como aconteceu na parceira da Stanton e da Native Instruments no FS2, comprar soluções que dependam de terceiros pra funcionar é algo muito complicado. Basta uma briga e pronto, você fica na mão. A indústria já mostrou que soluções mais amarradas só trazem benefícios pro usuário, pois o suporte e as decisões importantes vêm de um lugar só. É assim no mundo Apple, no mundo dos games, de muitos celulares e palms. Me dou a liberdade de especular: eu acho que a Rane está pulando fora do barco. Indícios não faltam. A Serato é fabricante apenas de software, aliás, um excelente fabricante (exceto na parte das interfaces, porque meu deus, será que na Nova Zelândia não existem designers? Duvido). Pra ela, o negócio é fazer programas, e a prova está aí. Depois de ver a Native dominar o mercado dos controladores midi ano passado com o Traktor 3 LE e o selo Built For Traktor, onde fechou parcerias com Behringer, Numark, Vestax, Allen & Heath, Hercules e tantos outros, era mais que natural que a Serato partisse pra uma solução assim. Já a Rane ganha grana é montando a caixa preta do SSL. E é engraçado que um sistema de simulação de vinil que venda tão bem e já tenha conquistado tantos adeptos não tenha sofrido um upgrade sequer. É muito dificil você se manter 3 anos atualizando software, drivers e mantendo uma mesma linha de montagem sem arrancar um centavo dos seus clientes. Não tem plano de negócios que feche assim. A Rane deveria estar doida pra soltar uma versão nova da caixa preta do Serato SSL, mas isso não aconteceu até hoje. E motivos não faltam: o protocolo USB foi atualizado pra 2.0 (se a Serato diz que precisa tanto de largura de banda assim, porque não atualizar o bicho?), a caixa continua grande, existem esquemas de cabos hoje muito mais práticos como no Conectiv e no Traktor Scratch, e mais entradas e saídas seriam algo muito legal também. Mas nada disso aconteceu. Só o TTL-56M (bela sigla, PQP), que pelo preço deve ter vendido uma dúzia no máximo, hehe. Agora, veio essa. E sem MIDI. Eles vão agora alimentar o mito da performance, fechando a plataforma. Burrice danada, é como se o protocolo MIDI não tivesse sido inventando pra tocar instrumentos ao vivo, ou seja, ele entrega velocidades animais, e eu nunca vi um controlador que sofresse de latência – normalmente esse problema está no computador ou na placa de som. Bom, em todo o caso, a novidade é sempre bem vinda. E assim o mercado se aquece, só temos a ganhar! ...

2008-01-18 · 4 min · 755 words · Submusica

Conheça a Mbox2 Micro: o Pro Tools cabendo no bolso

Depois do lançamento do Logic 8, da Apple, era de se esperar que o mercado fosse reagir. Mas confesso que eu nāo esperava uma reaçāo tāo rápida: a Digidesign acaba de dar mais um grande passo em liberar os usuários do Pro Tools da amarraçāo física de suas interfaces de áudio com o lançamento da Mbox2 Micro, que você confere na foto aí ao lado. Com formato de um simples pen drive, a Digidesign vai dar uma boa sacudida no mercado de produçāo com este lançamento. Entenda o motivo. O legado do Pro Tools: ancorado à estaçāo de trabalho Quem é das antigas vai lembrar que ter Pro Tools significava ter que comprar uma placa de som PCI enorme que ficava presa dentro do gabinete de um computador. Como naquela época laptops eram muito, muito caros, e deviam em termos de potência e expansibilidade quando comparados aos computadores desktop, era normal você ter um poderoso PC ou Mac capitaneando um estúdio. A coisa melhorou muito recentemente, com a linha Mbox se tornando um grande alívio pra turma que migrou para os laptops e Macbooks, afinal, rodar Pro Tools passou a ser muito mais fácil, pois bastava carregar uma caixinha a mais na mochila, e pronto. Você está livre pra poder ir até a casa daquele seu parceiro e trabalhar em conjunto com ele, sem grandes perdas de tempo. Mas agora a Digidesign deu o passo certo: colocou uma Mbox2 dentro de um pen drive, a grosso modo. Pra quem já tem uma Mbox2, pouco importa esse novo lançamento. Afinal, elas já estāo acostumadas com a rotina de trabalhar apenas em estúdio, e pra quem vem pilotando Pro Tools desde a década passada, carregar uma Mbox2 nāo é inconveniente algum. ...

2007-10-28 · 4 min · 793 words · Submusica