SC System: Stanton levanta do túmulo e revoluciona o mercado de DJs

Neste fim de semana começa a NAMM 2008, o grande evento onde os fabricantes de equipamentos de áudio revelam suas novidades para o ano. E é justamente agora que eu volto das minhas férias e começo a trazer as novidades. A primeira fica por conta da Stanton, que revela o tal produto que fez ela abandonar o Final Scratch 2: o Stanton SC System. Se você é DJ profissional ou amador, e independente do que você usa, vinil, CDs, mp3, vale muito a pena conferir este lançamento, pois estamos falando de algo que vai ser um grande passo na forma como se toca, diferente de tudo que já saiu até hoje. Que entender o motivo? Ano passado, quando a Stanton detonou de vez o Final Scratch 2, ela o fez porque supostamente iria lançar um produto revolucionário. 2007 passou e ela ficou morta em seu canto, sem lançar absolutamente nada. Pra mim, a Stanton já era passado. A NAMM 2008 começa amanhã. Ano passado foi o ano dos controladores midi, com soluções vindas de todos os lados, como já vimos aqui no Submusica. Mas o fato é, todas as soluções vieram de novos e pequenos fabricantes, ou então do pessoal que fabrica instrumentos para produção de áudio, como a M-Audio. As únicas exceções foram a Vestax e a Numark. A Stanton resolveu esperar todos arrebentarem a cara e entrou de sola com um equipamento, que, nas palavras dela, “ao contrário dos outros controladores pra DJ, ela oferece qualidade de construção profissional, sem comprometimentos. Cada knob, fader, led e tela de lcd utilizam componentes de qualidade, e mesmo a carcaça é desenhada para suportar anos de uso exigente na vida real, tanto em estúdio como ao vivo”. “Enter The System” lembra o “Enter The Matrix” O site oficial do SC System responde no endereço www.enterthesystem.com, que me faz lembrar o velho e bom “Enter The Matrix”. Ao mesmo tempo que quer dizer “apresentando a Matrix”, também quer dizer “entre na Matrix”. E o caso aqui é: este é O sistema. Stanton: entre no sistema. Note que usaram um laptop Acer, o mais popular entre os DJs no momento O sistema consiste em dois módulos, 100% midi. O primeiro chama-se SCS.1M, e substitui o mixer, e o segundo é um deck virtual com um prato de vinil motorizado (giratório), que pode ser usado para controlar mais de 1 deck, o SCS.1D. SCS.1M, o mixer midi O SCS-1M é um controlador em forma de mixer, com áudio firewire profissional – se for igual ao do ScratchAmp do Final Scratch 2, vai deixar toda a concorrência no chinelo. Além de oferecer inúmeros controles que você pode mapear livremente ao gosto do freguês, ele também tem entradas e saídas para as necessidades do seu estúdio. O módulo principal do sistema, o controlador em forma de mixer, SCS.1M Possui controles totalmente flexíveis e adequados para trabalho com software. Por exemplo: os knobs são do tipos de voltas infinitas, ou seja, eles giram 360 graus. A posição deles é marcada por leds. Isso acaba com aquela pentelhação de ter que acertar a posição dos knobs com o que está na tela do software, comum em todos os controladores do mercado. • Primeiro mixer 100% dedicado a DJs digitais e mobile • 4 canais com knobs e leds de volume similares aos mixers analógicos • Encoders com knobs de 360 graus de mapeamento livre • Telas de LCD para a seção de encoders • Mapeamento fácil para a maioria dos programas de DJing e VJing • Seção de navegação para escolha de músicas e arquivos • Entradas de microfone, line in e phono, para uso nos mixes e conversão digital • Som firewire compatível com Mac e Windows • Pode ser usado sozinho ou em conjunto com o deck SCS.1D • Saídas TRS balanceadas para o PA, saída RCA estéreo para o retorno (booth) e plug de 1/4" para fones de ouvido • Entrada para controlador de pedais midi Controles midi: • 24 Potenciometros (MIDI CC) • 37 botões de iluminação temporária (MIDI Note On) • 4 knobs “virtuais” 360 graus com 18 LEDs cada (MIDI CC ou Incremental CC) • 4 faders de 45mm (MIDI CC) • 1 crossfader de 45mm (MIDI CC) • 1 codificador rotacional (MIDI CC ou Incremental CC) Painéis (displays) • 4 painéis LCD multi-coloridos e alfa-numéricos, com 8 caracteres de resolução e controle de contraste (controláveis via MIDI SysEX) • 6 medidores de led de 9 segmentos. Um para cada canal e um par para a saída master (L & R), tudo controlável por MIDI Dimensões • 2,71 kg • 10.75" x 3" x 16.75" (LAP) SCS.1D, o deck virtual com disco de vinil motorizado O SCS.1D é um deck virtual, que usa um chassis e formato parecido com os atuais CDJs da Stanton. A diferença é que ele é totalmente MIDI, mas possui um prato motorizado, que utiliza um disco de vinil de verdade para controle dos scratches, no tamanho 10 polegadas – algo que eu acho perfeito para a finalidade: nem muito grande, nem muito pequeno. O SCS.1D, diferente do seu irmão SCS.1M, não tem placa de som. Ele é apenas controlador midi, mas que oferece o esquema de controle mais preciso do mercado. Ele possui um pitch motorizado, que acompanha as modificações feitas via software, e que se ajusta automaticamente conforme o deck que você selecionou. Imagine que você está usando apenas um deck SCS.1D para controlar as músicas dos players A (cujo pitch está no +3%) e B (cujo pitch está em +1%). Ao usar um pedal para mudar qual player você está comandando, o slider do pitch vai automaticamente para a posição correta, do +3% para o +1% (se você mudou o controle do player A para o B). SCS.1D: simplesmente o melhor controlador midi já inventado até o momento. Vamos ver como fica na prática O deck é bastante completo e promissor. Pode ser o acessório ideal pra quem já possui um belo mixer e um par de decks em casa, e quer apenas colocar o laptop pra tocar junto, já que ele pode ser usado com qualquer programa que suporte midi (Traktor, Virtual DJ, Mixvibes, Deckadance, etc), e que pode ser usado com qualquer placa de som (com um pouco de latência se você usar o som onboard do seu computador, claro). Vamos às especificações: • Primeiro deck motorizado totalmente midi e compatível com qualquer programa de DJing ou VJing • Prato motorizado de alto torque de 10" e com superfície de vinil • Pitch motorizado de 100mm que se ajusta para se manter em sincronia com o software • Pads com sensibilidade de velocidade para disparo de samples e quick cues • Encoders com knobs de 360 graus de mapeamento livre • Telas de LCD para a seção de encoders • Seção de transporte da música com controles tradicionais (play, pause, etc) • Permite controlar mais de um deck ao mesmo Controles midi: • 4 knobs “virtuais” 360 graus com 18 LEDs cada (MIDI CC ou Incremental CC) • 1 fader motorizado de 100mm (MIDI CC) Botões e chaves • 4 pads de trigger com sensibilidade de velocidade (MIDI Note On) • 46 botões de iluminação temporária (MIDI Note On) Painéis (displays) • 4 painéis LCD multi-coloridos e alfa-numéricos, com 8 caracteres de resolução e controle de contraste (controláveis via MIDI SysEX) • 1 display de posição do cue, com o indicador do deck controlado atualmente (MIDI SysEX controllable) Dimensões • 6,29 kg • 16,75" x 3,25" x 14,5" (LAP) Prato motorizado: • Tipo de motor: 16 poles, 3 phases, sem escovas • Velocidades: 33 1/3 ou 45 rpm • Torque: >4.5 kgf/cm • Tempo de start: 0,2 seg • Tempo de break: 0,2 seg Flexiblidade na hora de montar o seu estúdio Essas são as primeiras peças do sistema SC da Stanton. Provavelmente vem mais por aí, mas o grande legal do projeto (que está há 4 anos no forno) é que você tem fexlibilidade total para comprar somente as peças que precisa e integrar totalmente ao setup do seu estúdio. Veja alguns exemplos: O SC System permite que qualquer DJ ingresse no mundo midi da maneira que achar melhor Realmente se enquadra em qualquer setup, conforme o gosto do freguês. E permite que o DJ faça uma transição suave pro mundo digital, sem ter que vender tudo de uma vez e comprar tudo de uma vez – isso é, se ele realmente quiser migrar 100% pro mundo digital. Conclusão: agora sim, temos um fabricante pegando no batente Até então, só nomes menores fizeram as coisas acontecerem até agora. A Stanton, fabricante do qual ainda guardo uma certa mágoa pelo que fizeram com o Final Scratch 2, mostra que pensou bem no que estava fazendo e entregou um pacote bastante promissor. Isso mostra uma análise que já tinha feito nos comentários da notícia sobre o CDJ-400, e mostra bem que a coisa vai caminhando para o que o Memê profetizou aqui no Submusica, na entrevista que ele nos deu ano passado: estamos ainda num perído de transição, onde os grandes fabricantes ainda vão entrar nesse mercado de MIDI, e muita coisa há de mudar. Se o SC System entregar o que está sendo prometido, ele é um forte concorrente a colocar de novo o nome da Stanton na história da mudança de como os DJs trabalham. Ela fez isso no passado com o Final Scratch, e tem tudo pra fazer com o SC System. Porém, este é um mercado competitivo, onde se você der mole, ser pioneiro não adianta muito – vide que hoje a referência em simuladores de vinil é o atrasado Serato Scratch Live, da Rane/Serato. Eu acredito na visão do Memê que, no final, vamos ter apenas uma “caixa”, onde você joga seus arquivos e faz tudo nela, sem conectar cabos, computadores, parafernálias, e etc. O iDJ2 foi um grande passo nesse sentido, e o SC System, apesar de depender de um laptop, permite que um DJ tenha um sistema mais integrado, e sem aquela pinta de “brinquedo” que os outros controladores têm até agora. Talvez o melhor desse sistema é que você pode ingressar aos poucos. Eu vou observar mais um pouco, mas acredito que, hoje, dia 17 de janeiro de 2008, eu montaria um setup em casa composto de 2 decks SCS.1D com um SCS.1M, e um laptop. Ou então apenas um SCS.1M e um par de Technics MK2 com o Conectiv ou o Traktor Scratch, caso eu ainda prefira usar os pouco vinis que ainda me restam – mas é pouco provável, pois é uma solução bem cara. Pra mim o mais legal é que, no meu caso, onde trabalho 100% com arquivos digitais, o SCS.1M matou mixers elaborados como o DJM700 e DJM-800. Ainda pretendo passar meu Xponent pra frente (depois de fazer um review mais completo) e pegar um iDJ2 da Numark. Depois, quem sabe não vou pro SC System da Stanton. Temos que esperar, pois o mercado está em constante mutação. O fato é, quem está preso ao vinil ou ao CDJ está com os dias contados, não adianta chorar. É como tentar pegar um emprego sem saber mexer em um computador e no MS Office… Para saber mais, visite o site: www.enterthesystem.com ...

2008-01-17 · 9 min · 1879 words · Submusica

Faça Você Mesmo: Ajustando a firmeza do pitch

Quem já usou os toca-discos Technics SL 1200 sabe muito bem que uma de suas maiores qualidades são os seus controles de pitch. Muito firmes e com uma resistência bem agradável, eles dão uma excelente precisão na hora de fazer ajustes finos, principalmente pra quem sabe mixar usando apenas o pitch, sem colocar as mãos nos discos. E realmente, não tem coisa pior que se acostumar com isto e depois ter que encarar um pitch de plástico molenga como o de um CDJ. Pra alguns chega a ser desesperador, pra outros nem tanto, mas também impede o DJ de abusar um pouco mais nas passagens. No comparativo sobre os controladores Vestax VCI-100 e o Xponent, uma das minhas maiores críticas foi justamente esta questão: o pitch do Xponent é bem melhor por ter maior comprimento e mais precisão. Porém, ele peca por ser extremamente molenga, ao ponto de qualquer toquinho resultar numa mudança na velocidade. Mas calma, pra tudo tem um jeito! Eis aqui uma solução caseira rápida e fácil que muita gente não conhece, e que pode ser feita em alguns minutos – e sem a necessidade de abrir o equipamento. Esta modificação serve para diversos tipos de decks, sejam eles CDJs, controladores midi ou até mesmo alguns toca-discos como da Stanton e da Numark. Confira aqui no Submusica este tutorial exclusivo, em um passo a passo no melhor esquema “receita de bolo”, com muitas fotos. Esta modificação é muito simples, pois ela se baseia no seguinte: os controles de pitch do seu deck são bons, só são soltos, frouxos demais. O que vamos fazer é dar um pouco de aderência ao slider, o controle deslizante. Isso é feito usando algum feltro que vai ficar entre o pegador do slider e a superfície externa. O ideal é você comprar um daqueles feltros auto-adesivos que sempre rolam nas seções de utilidades domésticas de qualquer supermercado, marcenarias e afins. Mas você pode usar qualquer feltro disponível. Vamos ao passo a passo: Você vai precisar de pouca coisa para fazer esta modificação: um par de feltros auto-adesivos (ou material similar, mas não-aderente), tesoura ou estilete, e uma chave de fenda. Retire o pegador do slider usando a chave de fenda. Dependendo do seu aparelho, você nem precisará da chave de fenda, mas é melhor utilizá-la como alavanca para evitar forçar o mecanismo do pitch. Não tenha medo, esta peça é removível e não costuma ter nenhum tipo de lacre ou coisa parecida. É só puxar. Retirado o pegador do pitch, o que vamos fazer é cortar um fundo pra ele. Aqui você confere a parte inferior do pegador do pitch do M-Audio Xponent. Coloque o pegador do pitch por cima do feltro, e marque bem as medidas dele. Se preferir, utilize um lápis para marcar as dimensões, facilitando na hora de cortar. Recorte o feltro na medida do pegador de pitch. Dependendo da espessura do feltro que você comprou, você pode cortar mais, deixando ele menor do que o próprio pegador. Quanto mais grosso, maior a tendência a ele se esparramar, então convém cortar ele um pouco menor. No meu exemplo, utilizei um feltro muito grosso, você pode comprar um com 1 milímetro de espessura que dá pro gasto numa boa. Lembre-se de perfurar o feltro antes de encaixá-lo, para que você não force o mecanismo do pitch afundando-o na hora de encaixar o feltro. Antes de prosseguir, confira se o corte está bem feito: compare o calço que você criou usando o feltro com o pegador do pitch, e veja se não tem bordas sobrando. Se tiver, livre-se delas. É preferível que ele fique menor do que mais largo que o próprio pegador do slider de pitch. Agora é hora de aplicar o calço no controle deslizante do pitch. Se você está usando algum tipo de feltro auto-adesivo, primeiro encaixe-o no slider, com a parte adesiva virada para cima, e só depois retire o papel que cobre a cola. Assim você evita que ela se desgaste enquanto manipula o feltro. Chegou a hora de finalizar a modifiação: retire o papel da parte adesiva e encaixe novamente o pegador do pitch no seu devido lugar, fazendo um “sanduíche de feltro”. Faça um leve pressão para dar firmeza no encaixe, mas sem exagerar. Pronto! Sua modificação está terminada, e agora você conta com um pitch muito mais firme e mais preciso na hora de manipular! O resultado? Confira no vídeo abaixo a diferença entre um pitch modificado (o primeiro) contra outro sem a modificação: Viu como é fácil? O mais legal é que isto vale pra todo tipo de controle deslizante de vários aparelhos. Desde toca-discos a CDJs, passando por controladores midi, mesas de som, etc. E você, sabe de outra modificação ou macete parecido? Deixe a dica pros leitores nos comentários abaixo! ...

2007-11-09 · 4 min · 800 words · Submusica

BCD2000, Traktor e Midi Rules

Então você comprou um BCD2000, instalou tudo que veio no CD, usou o programa que veio com ele, o péssimo B-DJ, e depois de brincar por meia hora, chegou à conclusão que era apenas um brinquedo? Ou pior ainda, você instalou tudo como manda o figurino e ele ficou sem áudio, ou travando, engasgando? Então este tutorial é pra você: conheça o Midi Rules e saiba como configurar seu BCD2000 com o Traktor 3, o melhor programa do mercado, e muito mais. O Behringer BCD2000 está longe de ser o melhor controlador do mundo: há diversas opções melhores por aí, como vimos na primeira e segunda partes da série “Midi, a revolução sem volta”. Porém, é indiscutível o seu custo x benefício, com seu preço abaixo dos 700 reais. E com isto, ele vai se popularizando cada vez mais, ou, como dizem, “está vendendo que nem água”. Mais popular, impossível: o Behringer BCD2000 é um sucesso de vendas com seu preço acessível ...

2007-05-22 · 9 min · 1895 words · Submusica